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Parcelamento ou transação tributária: qual a melhor forma de negociar a dívida

Ana Caroline Dias OAB/MG 246.385 7 min de leitura
Parcelamento ou transação tributária: qual a melhor forma de negociar a dívida
Em resumo
  • Parcelamento divide o valor devido
  • a transação é uma negociação mais ampla, que pode incluir descontos
  • Na esfera federal, a transação segue a Lei 13.988/2020 e os editais da PGFN
  • Os descontos incidem sobre multas, juros e encargos, não sobre o valor principal do tributo
  • Antes de negociar, vale conferir se a dívida é de fato devida

Quando a empresa acumula dívida com o Fisco, existe mais de um caminho para negociar — e escolher o certo faz diferença no caixa. Os dois principais são o parcelamento e a transação tributária. Eles não são a mesma coisa.

Parcelamento

É a forma mais conhecida: dividir o débito em parcelas para pagar ao longo do tempo. Está previsto no Código Tributário Nacional (art. 155-A) e em leis específicas de cada ente.

Na esfera federal, o parcelamento ordinário permite, em regra, até 60 parcelas mensais, corrigidas pela taxa Selic. Estados e municípios têm regras próprias. As condições costumam ser padronizadas, com regras gerais de entrada, número de parcelas e encargos.

Enquanto as parcelas estão em dia, a exigibilidade do crédito fica suspensa (CTN, art. 151, VI). Isso permite, em regra, a emissão de certidão positiva com efeito de negativa. O atraso de parcelas pode levar à rescisão e à retomada da cobrança.

Onde se parcela, em cada esfera

O canal depende de quem cobra e de o débito já estar ou não inscrito em dívida ativa:

Quando o parcelamento é rescindido

No parcelamento federal, a falta de pagamento de três parcelas, consecutivas ou não, leva à rescisão. Também há rescisão quando resta uma parcela em atraso e todas as outras estão pagas (Lei 10.522/2002, art. 14-B). Com a rescisão, a cobrança do saldo é retomada e o débito pode seguir para a dívida ativa ou para a execução fiscal. Estados e municípios têm regras próprias de rescisão.

Transação tributária

É uma negociação mais ampla entre o contribuinte e o Fisco, prevista no CTN (art. 171) e, na esfera federal, regulamentada pela Lei 13.988/2020.

Pela lei federal, a transação pode envolver:

A transação pode ser feita mesmo durante a execução fiscal. A PGFN publica editais com prazos de adesão — o Edital 6/2026 está aberto até 29 de janeiro de 2027.

Na esfera federal, a transação aparece em três formas principais: por adesão, quando a empresa adere às condições de um edital; individual, negociada caso a caso para débitos de maior valor; e de pequeno valor, com regras simplificadas para débitos menores de pessoas físicas, microempresas e empresas de pequeno porte.

Em Minas Gerais, a Lei Estadual 25.144/2025 criou a transação para débitos inscritos em dívida ativa, com redução máxima de 65% (ou 70% para pessoas físicas, micro e pequenas empresas).

A diferença que pesa

No parcelamento, organiza-se o pagamento do valor cheio. Na transação, pode haver redução de multas, juros e encargos em hipóteses previstas. Uma não é sempre melhor que a outra — depende do débito e da situação da empresa.

Lado a lado

PontoParcelamentoTransação tributária
O que éDivide o débito em parcelasNegociação prevista em lei, que pode incluir descontos
Base legal federalCTN, art. 155-A; Lei 10.522/2002CTN, art. 171; Lei 13.988/2020
DescontosEm regra, não háSobre multas, juros e encargos, nunca sobre o principal
Prazo federalEm regra, até 60 mesesAté 120 meses (145 para PF, ME e EPP)
Quando está disponívelDe forma contínuaPor edital com prazo de adesão ou por proposta individual
Efeito na certidãoEm dia, permite a certidão positiva com efeito de negativaEm dia, permite a certidão positiva com efeito de negativa
Comparativo entre parcelamento e transação tributária: o que é, descontos, prazos e efeitos na certidão
Parcelamento e transação: as principais diferenças na esfera federal.

Qual escolher?

A resposta depende de alguns fatores:

O que avaliar antes

Negociar bem começa antes de negociar: começa por conferir se aquilo tudo é realmente devido.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre parcelamento e transação tributária?

O parcelamento divide o valor devido em parcelas, com poucas ou nenhuma redução. A transação é uma negociação prevista em lei (na esfera federal, Lei 13.988/2020) que pode incluir descontos sobre multas, juros e encargos e prazos maiores.

Qual o desconto máximo na transação tributária federal?

Pela Lei 13.988/2020, até 65% do total da dívida, com prazo de até 120 meses. Para pessoas físicas, microempresas e empresas de pequeno porte, até 70% e 145 meses. O desconto não alcança o valor principal do tributo.

Dá para fazer transação com a execução fiscal em andamento?

Sim. A transação pode ser feita durante a execução fiscal. Em geral, exige a desistência de discussões judiciais sobre os débitos incluídos.

Como parcelar a dívida ativa da União?

Os débitos inscritos em dívida ativa da União são parcelados na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo portal Regularize. Débitos federais ainda não inscritos são parcelados na Receita Federal, pelo e-CAC.

Dá para parcelar ICMS em Minas Gerais?

Sim. O parcelamento do ICMS segue a legislação estadual de Minas Gerais. O canal muda conforme o débito: ainda não inscrito, com a Secretaria de Estado de Fazenda; inscrito em dívida ativa, com a Advocacia-Geral do Estado.

O que acontece se atrasar o parcelamento?

O atraso pode levar à rescisão, com a retomada da cobrança do saldo e perda dos benefícios. No parcelamento federal, a rescisão ocorre com três parcelas em atraso, consecutivas ou não, ou com uma parcela em atraso quando todas as outras estão pagas (Lei 10.522/2002, art. 14-B).

Este conteúdo é informativo. Para entender como o tema se aplica à sua empresa, é possível falar com o escritório.

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Ana Caroline Dias, advogada

Ana Caroline Dias

Advocacia Tributária · OAB/MG

Advogada tributária com mais de dez anos de vivência à frente da gestão de uma empresa familiar. Atua ajudando empresários a enfrentar questões tributárias com estratégia, prevenir riscos e organizar decisões — a partir da perspectiva de quem já esteve do outro lado do balcão.

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Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não constitui consulta ou parecer jurídico, nos termos do Provimento 205/2021 da OAB. Cada empresa possui particularidades — para orientação sobre o seu caso, procure um profissional.

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